Odontologia do Sono

Como interpretar o laudo da polissonografia (IAH, saturação e mais)

11 min de leitura
Consultório onde a Dra. Tania Tamashiro analisa laudos de polissonografia em São Paulo

O laudo da polissonografia, traduzido

O exame do sono é o documento mais importante do tratamento de ronco e apneia — e também o mais mal explicado. Muitos pacientes recebem várias páginas de gráficos, leem a frase final e não entendem o que fazer com aquilo. Este guia percorre cada indicador que aparece no laudo e mostra o que ele muda na prática.

Uma observação antes de começar: laudo não é diagnóstico completo. O número precisa ser lido junto com os seus sintomas, o exame clínico da boca, da mandíbula, da articulação e da via aérea. Dois pacientes com o mesmo IAH podem ter condutas diferentes.

IAH — índice de apneia-hipopneia

É o protagonista. Conta quantos eventos respiratórios (apneias, quando o fluxo praticamente cessa, e hipopneias, quando ele cai parcialmente) ocorrem por hora de sono.

  • IAH abaixo de 5: sem apneia relevante. Pode haver ronco primário.
  • IAH de 5 a 15: apneia leve.
  • IAH de 15 a 30: apneia moderada.
  • IAH acima de 30: apneia grave.

Em crianças a régua é outra e bem mais rigorosa: valores acima de 1 evento por hora já merecem atenção.

IDO — índice de dessaturação de oxigênio

Mede quantas vezes por hora a oxigenação do sangue cai (em geral 3% ou 4% abaixo da linha de base). Um IAH moderado com IDO alto costuma indicar um quadro mais agressivo para o sistema cardiovascular do que o número de eventos sugere isoladamente.

Saturação mínima e tempo abaixo de 90%

A saturação mínima mostra o pior momento da noite. Já o tempo com saturação abaixo de 90% (às vezes chamado T90) indica por quantos minutos o corpo ficou em hipoxemia. É um dos dados que mais pesam na urgência do tratamento: muitos minutos abaixo de 90% pedem conduta rápida, mesmo com IAH intermediário.

IAH por posição: supino x não supino

O laudo geralmente separa os eventos por posição do corpo. Quando quase todos ocorrem em decúbito dorsal (barriga para cima), existe um componente posicional importante — e a resposta ao aparelho intraoral tende a ser boa, associada a treinamento de posição.

IAH por estágio de sono e sono REM

Eventos concentrados no sono REM são comuns, porque é a fase de maior relaxamento muscular. Apneia predominante em REM está bastante associada a sono não reparador e sonolência diurna, ainda que o IAH global pareça moderado.

Índice de ronco e intensidade em decibéis

Exames domiciliares como o Biologix registram o padrão de ronco ao longo da noite: quanto tempo, em que intensidade e em quais posições. Esse dado é ótimo para acompanhamento — ele mostra objetivamente se o tratamento mudou o quadro, sem depender apenas do relato de quem dorme ao lado.

Eficiência do sono, latência e despertares

Eficiência é a proporção do tempo na cama que você realmente dormiu. Latência é quanto tempo levou para pegar no sono. Microdespertares fragmentam a arquitetura do sono, e a apneia é uma das principais causas — o que explica acordar cansado depois de oito horas na cama.

Frequência cardíaca e arritmias

Cada apneia dispara uma resposta de estresse: variação de frequência cardíaca e picos de pressão. Padrões alterados no laudo são um dos motivos para encaminhamento cardiológico junto ao tratamento do sono.

Três exemplos de leitura completa

  1. IAH 3, ronco em 45% da noite, saturação mínima 92%: ronco primário. Aparelho intraoral e terapia miofuncional têm ótimo custo-benefício.
  2. IAH 18, 80% dos eventos em supino, saturação mínima 88%: apneia moderada com componente posicional. Aparelho intraoral bem titulado, com reavaliação por novo exame em uso.
  3. IAH 42, saturação mínima 76%, 40 minutos abaixo de 90%: apneia grave. CPAP como primeira indicação; se houver intolerância, aparelho intraoral entra como alternativa, muitas vezes combinado a perda de peso e avaliação otorrinolaringológica.

Polissonografia tipo 1 x exame domiciliar

A polissonografia completa de laboratório (tipo 1) monitora também as ondas cerebrais e é indispensável em suspeita de outros distúrbios do sono, como narcolepsia, epilepsia noturna ou distúrbio de comportamento do REM. Para a suspeita clássica de apneia obstrutiva em adulto, o exame domiciliar validado resolve na maioria dos casos — com a vantagem de medir você dormindo na sua rotina real.

O exame de controle: a etapa que quase todos pulam

Parar de roncar é um sinal, não uma prova. O tratamento correto inclui um novo exame com o aparelho em uso, depois da titulação, para confirmar que o IAH caiu para faixa segura e que a saturação está preservada. Sem esse controle, é possível ter silêncio no quarto e apneia mantida.

Quer ajuda para entender o seu laudo?

Há duas formas de começar: a 1ª consulta (sem polissonografia), para quem já tem o exame em mãos, e a 1ª consulta completa (incluindo o exame de polissonografia com nosso Biologix), para quem prefere resolver diagnóstico e avaliação de uma vez. Os valores são informados pelo WhatsApp antes do agendamento.

Para avaliar o seu caso, fale com a Dra. Tania Tamashiro pelo WhatsApp e agende sua consulta. O consultório fica em Rua Dr. Neto de Araújo, 320 - Sala 608 - Vila Mariana - São Paulo - SP, CEP 04111-001, a poucos minutos das estações Vila Mariana, Ana Rosa e Santa Cruz do metrô. O atendimento é de segunda a quinta das 9h às 18h e sexta das 9h às 17h.

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